‘A música muda o cérebro’: Mauro Muskat, músico e neurologista

May 26, 2019

O neurologista Mauro Muskat esteve na Ciranda de Filmes, em São Paulo, no dia 25 de maio, sábado, para conversar sobre música e saúde das crianças.

 

Médico neurologista e músico, Mauro Muskat têm dedicado sua carreira a pesquisa do impacto da música no desenvolvimento infantil. Em entrevista ao Lunetas ele conta que ter estudado regência e composição foi essencial para sua carreira de neurologista. Sua linha de trabalho apoia-se na premissa de que a música é um potente instrumento de neurodesenvolvimento da criança e de suas funções cognitivas.

 

Na Ciranda de Filmes, Mauro Muskat vai participar de uma sessão especial que terá terá como discussão central o documentário “Ouça o silêncio”, de Mariam Chachia. O filme conta a história de Luca, um menino surdo que a partir de vibrações sonoras percebe que pode ouvir o mundo pelo corpo.

Muskat também orienta trabalhos de mestrado e doutorado sobre neurociência educacional . “Orientei pesquisadores que veem a música não só para a reabilitação, mas que veem sua importância para a formação e desenvolvimento das crianças. “É um campo que eu tenho fascinação e que veio complementar minha formação musical” afirma.

 

Além de orientar pesquisas neste campo, Mauro, atua como coordenador doNúcleo de Atendimento Neuropsicológico Interdisciplinar Infantil (NANI) do Departamento de Psicobiologia da Unifesp – Universidade Federal de São Paulo. O Nani é um núcleo especializado no diagnóstico interdisciplinar e em pesquisas dos transtornos do neurodesenvolvimento.

 

O que é Neuropsicologia do desenvolvimento?

 

A Neuropsicologia do desenvolvimento se refere ao campo do conhecimento que visa compreender as relações complexas entre o cérebro e o desenvolvimento, estabelecendo as bases do desenvolvimento psicológico, cognitivo e comportamental da criança.

 

“Hoje sabemos que a música tem um efeito diretamente na plasticidade cerebral. Até aumenta o cérebro de tamanho. Um cérebro de um músico é diferente de um cérebro de um não músico”, enfatiza.

 

O uso da música para fins terapêuticos apoia-se na capacidade da música estimular uma série de reações fisiológicas que fazem a ligação direta entre o cérebro emocional e o cérebro executivo. A música estimula a flexibilidade mental, a coesão social fortalecendo vínculos e compartilhamento de emoções que nos fazem perceber que o outro faz parte do nosso sistema de referência. 

 

Isso significa que, quando uma criança está com contato com a música, ela pode não só lidar com as próprias emoções como também entrar em conexão com o comportamento do outro. “É o que a gente chama de cognição social, que é responder com base na sua subjetividade mas também na experiência do outro”, declara Mauro.

 

A exposição à música em diversos ambientes contribui para a construção de um cérebro biologicamente mais conectado, fluido e criativo. Crianças que tem contato com a música apresentam respostas fisiológicas mais amplas, maior atividade das áreas associativas cerebrais, maior grau de neurogênese (formação de novos neurônios em área importante para a memória como o hipocampo) e diminuição da perda neuronal (apoptose funcional).

O médico desvenda como a música também pode ser uma aliada contra imediatismo que estamos vivendo com o advento da tecnologia. “‘Ficar dentro de máquinas’ pode acarretar comportamentos bastante alienados nas crianças, não é reforçado o papel de esperar, sincronizar com o outro e só fortalece o imediatismo”, finaliza.

 

Adaptado de Lunetas.com.br

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Em Destaque

Como surgiram os museus para crianças e sugestões para conhecer.

February 27, 2019

1/10
Please reload

Posts Recentes